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Contratar um terminal sem ligar para vendas.

Fluxo no app PicPay onde um pequeno negócio descobre, qualifica, precifica e pede um terminal sozinho — em menos de cinco minutos. R$10M de TPV e 10 mil pedidos no primeiro mês. Hoje, R$30M de TPV e 16 mil pedidos por mês.

Função
Lead Product Designer (UX, research, pós-lançamento)
Time
Eu (design) + PM + 6 engs + 1 pesquisador + 1 data analyst
Superfície
App PicPay · 5 pontos de entrada
Período
2024 · 6 meses de design → lançamento → pós
Status
Em produção · escalando
Impacto
R$30M de TPV / mês · 16k pedidos / mês · −30% devoluções via correção pós-lançamento
Contexto
— 01

O funil era uma parede.

Aquisição de terminal era liderada por vendas: lenta e desigual. O preço chegava dentro de uma ligação. Lead desqualificado era agradecido e descartado. O CAC era o vendedor — e o funil era uma parede.

O briefing inicial pedia "automatizar a contratação". Reli o briefing pra dizer outra coisa: construir um fluxo onde qualquer lojista possa descobrir, qualificar, precificar e pedir dentro do app que ele já usa — em menos de cinco minutos — e onde ser desqualificado vire o começo de outra conversa, não o fim de uma.

Pesquisa
— 02

Onde o lojista já está.

Fui pra rua. Entrevistei 12 lojistas PJ em diferentes faturamentos e categorias — barbearia, salão, food truck, ateliê, prestador. Não perguntei o que eles achavam do produto. Perguntei como eles abrem o app PicPay no dia.

O padrão foi claro: eles não procuram terminal. Procuram "vender mais". Entram pela home pra ver saldo. Caem na aba PJ por curiosidade. Buscam por funcionalidade quando o caixa enche. O CTA de "contratar terminal" não estava no caminho deles.

A pergunta que define elegibilidade no time de risco — qual seu faturamento mensal? — era a mesma que define a melhor taxa. Duas perguntas viraram uma. Foi onde começou o fluxo.

Fluxo
— 03 / 04 telas

Qualificar, precificar, pedir, confirmar.

Quatro telas-chave do app, mais a captura do fluxo inteiro. A última decisão de hierarquia — endereço no topo do carrinho — é a correção pós-lançamento que cortou 30% das devoluções.

Fluxo no app PicPay 04 telas · demo completa
Demo do fluxo de aquisição self-service no app PicPay

Quatro toques. Sem ligar pra ninguém.

Captura real do fluxo em produção. Lojista entra pelo widget de vendas, responde uma pergunta de faturamento, vê as taxas escalonadas, confirma pedido. Tempo médio: 3min12s.

Em produção desde 2024
01Qualificação
Faturamento qualifica e precifica numa só pergunta.
Tela perguntando quanto o usuário pretende vender por mês na maquininha PicPay
02Preço antes
Taxas antes do produto. E o próximo tier se vê desbloqueando.
Tela mostrando taxas de acordo com faturamento mensal, com tier ativo destacado e próximo tier bloqueado
03Pedir
Endereço no topo, aluguel zerado em destaque.
Tela 'Pedir maquininha' com endereço de entrega no topo, imagem do terminal e botão Confirmar pedido
04Confirmação
Pedido enviado. Resumo, não euforia.
Tela de confirmação 'Seu pedido de maquininha foi enviado' com resumo do pedido
Decisões
— 04 / quatro escolhas

As decisões que carregam o fluxo.

  1. Cinco entradas, não uma. A boca do funil se alarga onde o lojista já está — widget na home, aba PJ, carteira, configurações, busca. Descoberta é uma contagem, não uma metáfora.
  2. Qualificar com a pergunta que já personaliza. "Quanto seu negócio fatura?" filtra elegibilidade e define a taxa, ao mesmo tempo. Uma pergunta com dois trabalhos vale três fazendo um.
  3. Preço antes do produto. As taxas aparecem antes da escolha do terminal. Quem não aceita não desperdiça cinco telas pra descobrir.
  4. Sem becos. Quem não qualifica é roteado para PicPay Tap (use o celular) ou Link de pagamento (cobre pelo WhatsApp). Desqualificação vira outro produto, não estado de erro.
Pós-lançamento
— 05

Dado é pesquisa em escala.

Um mês depois do lançamento, o time de logística sinalizou um alarme: 30% dos terminais voltavam. Investiguei a aba de devoluções com a analyst de dados. Um padrão emergiu sozinho: endereço incorreto. Usuários passavam no piloto automático pela confirmação, deixando passar CEP errado de uma sessão anterior.

Correção · mudança única no UI
−30%
Realocar o campo de endereço para o topo da tela de confirmação, com label "revisar" em lime. Nenhuma pergunta nova, nenhum campo novo. Pura hierarquia. As devoluções caíram na hora. O custo logístico foi junto.

Esse é o argumento para tratar dado pós-lançamento como pesquisa. Os dois são pesquisa — um acontece em escala. A entrevista mais valiosa que fiz nesse projeto não foi com lojista; foi com a planilha de logística.

Sistema
— 06

Antes e depois.

Antes — funil de vendas

CAC é o vendedor

  • Preço só durante ligação · friction longa
  • Lead desqualificado é descartado
  • Um CTA escondido na aba PJ
  • Pesquisa de campo só antes do launch
Depois — self-service

CAC é o fluxo

  • Taxa personalizada em 30 segundos · transparente
  • Desqualificação vira Tap ou Link · sem dead end
  • 5 entradas no app · home, PJ, carteira, settings, busca
  • Dado pós-launch ajustou o fluxo · −30% devolução
Resultado
— 07

Em produção, escalando.

O fluxo está em produção há mais de um ano. Mês 01: R$10M de TPV e 10 mil pedidos. Hoje, três vezes isso. Sem retrabalho de funil desde o launch — só ajustes pontuais (como o endereço).

R$10M
Mês 01 · TPV
Volume transacional no primeiro mês público.
R$30M/mês
Hoje · TPV
3× crescimento, sustentado.
10k
Mês 01 · pedidos
Zero ligações de vendas.
16k/mês
Hoje · pedidos
Mesmo fluxo. Mais escala.
Aprendizado
— 08

O que esse case me ensinou.

  1. Uma pergunta com função dupla carrega peso. Faturamento qualifica e precifica. Uma tela ganhou direito a duas tarefas.
  2. "Sem becos" é princípio de produto, não linha de copy. Exigiu que dois produtos adjacentes (Tap, Link) entrassem como desfechos, não consolação.
  3. Logística é uma superfície de UX. Um campo de endereço fora do lugar custou dinheiro de verdade. Subir um label foi a mudança de maior ROI do ano.
  4. Self-service não é jogada de custo. É teste de clareza. O fluxo que escala é o fluxo que um humano não precisa traduzir.